11 – O flash fotográfico

O flash fotográfico

O flash eletrônico é o sistema de iluminação artificial mais evoluído que existe, e cada vez tem se tornado mais sofisticado e mais fácil de usar. É um dispositivo que revolucionou a fotografia, e atualmente é uma arma de trabalho dos fotógrafos profissionais.

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O flash é usado na fotografia para produzir uma luz instantânea com uma temperatura de cor por volta dos 5500ºK para ajudar a iluminar a cena. Mas é preciso tomar alguns cuidados, pois o mau uso do flash pode arruinar a foto, fazendo as imagens apresentarem efeitos artificiais.

O flash geralmente é usado nas seguintes situações:

Flash como luz principal: O flash é usado como principal fonte de luz, como em interiores escuros e fotos noturnas.

Flash de preenchimento: Muito usado em dias ensolarados. Ao se fotografar uma pessoa à luz do sol, aparecem sombras em seu rosto, ou a pessoa fica sub-exposta devido à contra-luz. Neste caso,  o flash é usado para iluminar essas áreas sombreadas e para equilibrar a exposição da cena. Veja o exemplo:

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Autor: Prof. Enio Leite.

Os amadores em geral costumam condenar as fotos tiradas com flash por apresentarem efeitos artificiais. O profissional, ao contrário, não o dispensa, chegando inclusive a usá-lo de forma criativa, não deixando nenhuma pista ou evidência do emprego deste recurso, apresentando resultados fantásticos.

Para estes profissionais, o uso do flash é tão imprescindível, quando o uso de filtro protetor ou parasol.

Já que os filmes de maior sensibilidade comprometem a qualidade e saturação das cores, esses profissionais com filmes mais lentos, conseguem “simular” por meio da criatividade, esquemas de iluminação com flash, cuja imagem final é idêntica ou ainda melhor do que a iluminação do próprio ambiente.

As técnicas apresentadas são válidas, tanto para a fotografia analógica, como para a fotografia digital profissional.

Velocidade de sincronismo clip_image002[7]

Para usar qualquer tipo de flash, seja portátil, acoplado á câmera, de estúdio e outros, temos que primeiramente observar a sua velocidade de sincronismo. Este sincronismo refere-se ao intervalo de tempo entre a abertura do obturador e o disparo do flash. Ambos devem acontecer exatamente no mesmo momento. Para isto, necessitamos de uma velocidade específica que dispare o flash no exato momento em que o obturador esteja totalmente aberto para atingir o pico máximo de luz.

Caso o manual de sua câmera informar que o sincronismo do flash está regulado para 1/60, e se você acidentalmente utilizar uma velocidade mais rápida como 1/125 ou ainda 1/250, a foto sairá gravada somente em parte, pois a velocidade estará fora do pico, e a cortina do obturador estará cobrindo parte do filme durante a exposição.

As câmeras manuais mais modernas permitem sincronismo do flash até 1/250. Os modelos High Tech, permitem até 1/800 ou mesmo 1/1000, dependendo de programas específicos. Entretanto, o que importa realmente saber é que a velocidade de sincronismo é a velocidade máxima permitida a operar com flash eletrônico. Esta velocidade, na maioria das vezes, registra apenas a luz emitida pelo mesmo.

Número Guia – Flash manual

Cada tipo ou modelo de flash tem uma potência, um poder de iluminação. Esta medida é o número guia, indicado no manual do seu flash, para ISO 100.

Em outras palavras, a luz que parte do seu flash se espalha e chega até o assunto com maior ou menor intensidade. Portanto, toda vez em que a distância se altera, é necessário alterar o diafragma para uma correta exposição.

Cada flash tem um número guia, uma potência diferente. Para facilitar o manuseio, cada tipo ou modelo vem com seu respectivo número guia impresso em seu manual. Ou, com uma tabela de Distancia x Abertura, impressa no próprio corpo ou no visor de cristal liquido do flash. Observe-a com cuidado para conseguir a exposição correta.

Esta tabela é para uso do flash nas funções MANUAL (M), AUTOMÁTICO (A) ou ainda em TTL. Operar o flash em manual significa dizer que estamos utilizando sua potência máxima, seu número guia.

Para calcular a abertura adequada, a ser utilizada a partir do número guia, caso seu flash não apresente esta tabela impressa muito simples:

Número Guia (80) ISO 100 = Abertura do Diafragma = f/ 8.

Distancia em Metros (10 m)

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A técnica do Número Guia é utilizada em flashes profissionais que não trazem impressa em suas respectivas cabeças, a tabela de Distância x Abertura. Desta forma, consulta-se em seu manual o respectivo NG (Número Guia) para cada sensibilidade de filme.

Flash modo Automático

Entretanto, a maioria dos flashes disponíveis no mercado operam também em função AUTOMÁTICO (A). Estes modelos possuem um sensor eletrônico que mede a tensão da luz, ou a intensidade do relâmpago a ser emitida de acordo com a distância entre o flash e o assunto a ser fotografado. Na mesma tabela junto ao flash você encontra, para cada sensibilidade de filme, o diafragma a ser usado em função Automático.

Estas indicações geralmente se apresentam em cores diferentes, em função das distâncias que os assuntos se encontram. Cuidado: cada função de Automático indica uma abertura fixa, e o respectivo raio de ação, as distâncias mínimas e máximas que o sensor pode alcançar! Mesmo nos flashes mais avançados. Compreenda que o modo Automático refere-se unicamente ao desempenho do flash, não havendo nenhuma mediação de exposição por parte da câmera.

Flash modo TTL clip_image002[11]

TTL significa “Through The Lens Metering”, ou seja, leitura através da objetiva. Esta é a leitura fotométrica padrão das câmeras semi ou profissionais. A luz passa pela objetiva e será medida por um sensor que medirá a luz refletida da própria superfície do filme. Parece meio complicado, mas a intenção do fabricante é tentar captar o sinal de luz com a maior fidelidade possível.

Quando operamos o flash em TTL, o sensor eletrônico (tiristor) que comanda sua função automática é desligado e a intensidade da luz do flash está subordinada á leitura do fotômetro. Desta forma, o sensor fotoelétrico após ter analisado a luz da cena a ser fotografada, vai enviar ao flash a quantidade de luz necessária para uma exposição normal.

Apesar de teoricamente ser muito prático, já que o fotômetro detecta a quantidade de luz exata que falta para obter uma exposição normal, e comanda o flash para suprir essa iluminação complementar, este modo só é possível nas câmeras modernas, em virtude dos contatos periféricos.

Assim, o sistema TTL, está conectado com o fotômetro. Este mede a quantidade de luz disponível, “lê” a distancia pelo sistema Auto Focus, e informa ao flash qual a quantidade de luz necessária para complementar à exposição, naquele plano, previamente focalizado. Os modelos High Tech ainda contam com programas de sub ou super exposição para melhor controle dos efeitos desejados.

Por outro lado, o sistema TTL na maioria dos flashes inteligentes atuam como luz auxiliar. podendo subexpor ou super-expor o assunto.

Olhos vermelhos

Outro preconceito quanto ao uso do Flash é a produção de imagens com olhos vermelhos. Quando a luz do Flash atinge diretamente a pupila, normalmente as pessoas se encontram em local escuro. Nessas condições, a pupila está dilatada pela acomodação visual, fazendo com que a luz do Flash incida diretamente na retina refletindo parte do sangue que ali se encontra. Dessa forma, o aparecimento dos olhos vermelhos nada mais é do que a reflexão da própria retina provocada pela dilatação da pupila em ambientes com deficiência de iluminação.

Aprenda como evitá-los.

1. Use o flash lateralmente, isso vai mudar o ângulo de incidência de luz.

2. Peça á pessoa que não olhe diretamente para a câmera.

3. Use iluminação rebatida em teto ou superfície branca.

4. Acenda mais luzes no ambiente. Com isso a pupila vai se contrair, diminuindo a intensidade do reflexo avermelhado.

As câmeras mais modernas possui um recurso especial para eliminar o “olho vermelho”. Consiste em promover dois disparos do Flash, no momento em que o obturador é acionado. O primeiro, rapidíssimo, com menor carga, ocorre antes da exposição. Esse disparo tem um “timing” perfeito para que ocorra a contração da pupila, que normalmente está bem dilatada pela falta de iluminação ambiental.

No instante exato da contração máxima, a foto é realizada pelo segundo disparo do flash, o que torna quase impossível conseguir um ângulo que incida no fundo do olho, e reflita na direção do filme.

Flash Frontal

O uso mais convencional do flash eletrônico é o do flash direto, acoplado à sapata da câmera, e apontado frontalmente para o tema. Por outro lado, esta posição normalmente produz sombras indesejáveis, brilho excessivo na pele, e basicamente uma luz dura, clareando o assunto além do ponto desejado e ausência de meios tons. Entretanto há vários meios de controlar este “efeito de artificialidade” produzido pelo Flash:

1. Eliminação de Sombras: Afaste o assunto a ser fotografado mais ou menos 1.5 m do fundo, para que a sombra projetada pelo Flash não fique marcada atrás do corpo da pessoa. Essa simples providência vai melhorar suas fotos.

Caso tenha um fio ou cabo de extensão, procure iluminá-lo lateralmente, ou por cima, para que a sombra não incida diretamente no fundo. Use um rebatedor branco de cartolina, isopor ou papel alumínio para minimizar sombras do rosto e no fundo.

Se o espaço não permitir que você proceda dessas maneiras, procure fotografar o assunto com fundo escuro, o qual absorverá a maior parte das sombras projetadas pela luz do flash.

2. Flash Rebatido: muitos profissionais dirigem o facho de luz do flash para o teto, parede, muito dura. Seus resultados são: luz difusa, homogênea e sombras suaves que não aparecem no fundo. Pode ser utilizado tanto em modo manual, automático ou TTL.

Uma das formas recomendadas de utilização do flash é a de rebatê-lo contra uma superfície branca, no intuito de distribuir e difundir sua luz, simulando a luz natural interior.

3. Flash Auxiliar (Flash de menor tamanho localizado logo abaixo do flash principal). Com a difusão da técnica do flash rebatido, surgiu um outro tipo de problema: Quando o ângulo de incidência da luz rebatida é muito grande (muito parecido com a luz do sol próximo ao meio-dia), aparecem as clássicas sombras nos olhos, debaixo do nariz e do queixo. Para resolver esse problema, os fabricantes desenvolveram o flash auxiliar.

É um pequeno flash que fica em posição fixa frontal, e que sempre fornece uma iluminação complementar ao flash principal para somente iluminar as regiões sombreadas pelo mesmo.

4. Luz Mista, ou Flash de Preenchimento. É possível combinar a luz do flash com a luz natural como técnica corretiva. Este recurso tem um princípio muito simples: preencher o vazio (de luz) nas sombras. Para tanto, a intensidade de luz do flash deve estar equalizada com a fotometria da luz ambiente. Pode também ser empregado para criar efeitos de raios de sol, cenas de contra luz, como entardecer ou otimizar brilhos, em dias nublados ou ainda para corrigir o balanço de cores em ambientes com luz artificial.

Redutor de potência

Este recurso adicional, encontrado nos flashes mais sofisticados, e vem designado com as potências – 1/1 (full – total), 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/32 etc.

Isto significa que em 1/1 o flash está em carga máxima e na medida em que se reduz esta carga sucessivamente, pela metade, a luz do flash reduz-se no numero de pontos equivalentes. Esse recurso é muito útil, quando se opera a distancias muito curtas, ou com filmes mais sensíveis, ou ainda apenas para economizar baterias.

Já que as marcas e modelos de Flash estão em constantes aperfeiçoamentos, recomenda-se ler seus respectivos manuais com atenção.

Nas câmeras tipo Hi Tech a redução de potência, é efetuada diretamente no respectivo programa para flash – TTL, acionando-se a respectiva escala de compensação, desde que se utilize o flash indicado pelos seus próprios fabricantes. Alguns modelos originais apresentam esta escala de redução mesmo em modo manual. Para maiores informações, consulte o livreto de instruções de seu Flash.

“Ring flash” / Flash Anular

Há Flashes especiais para curtas distâncias, com pequena potência adequada á fotografia científica ou para documentação São conhecidos como Ring Flash, tipo circular, utilizado na frente da objetiva, acoplada como um filtro. Desenvolvido para situações especificas, para temas muitos próximos, em que a iluminação de um flash convencional não é adequaclip_image002[15]da.

Fotografia dental, médica, macrofotografia, e outras aplicações afins, são alguns dos campos em que esta técnica é utilizada. Apresenta uma luz difusa, e em alguns de seus modelos o grau de difusão pode ser controlável. São encontrados em modelos manuais. Automáticos e até TTL. No entanto, seu raio de ação é limitado á 1.2 metros de distância.

Na falta destes flashes, podemos improvisar rebatedores para dirigir o foco de luz diretamente ao assunto a ser fotografado.

O flash, tanto nas câmeras analógicas como nas digitais apresentam o mesmo objetivo: iluminar. Portanto, todas as regras aqui apresentadas são válidas. Entretanto, dependendo da sensibilidade de seus respectivos sensores e dos modelos disponíveis no mercado, há ajustes adicionais a serem efetuados para se obter bons resultados.

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